A importância da música na pré-escola


Eles vieram ao mundo embalados por canções. Das de ninar para as de roda foi um pulo. Mais um pouco e estavam cantando, mesmo que desafinados. E agora estão na pré-escola... fazendo uma tremenda algazarra. Mas basta que você inicie alguns compassos, seja de que música for, para pegá-los de jeito. Pesquisas recentes confirmam que dos três aos seis anos é a hora certa de encher esses ouvidos de harmonia. Não que depois não seja bom (música sempre é bom, concorda?), mas seus alunos depois dos dez anos não estarão tão receptivos e preparados para a linguagem musical.

Não é para formar músicos que a Iniciação Musical vem ganhando espaço nas pré-escolas, sendo incluídas até no Referencial Curricular Nacional (veja box na página ao lado). A música ajuda a afinar a sensibilidade de seus alunos, aumenta a capacidade de concentração, desenvolve o raciocínio lógico-matemático e a memória, além de ser um forte desencadeador de emoções. Os benefícios de uma boa Iniciação Musical se estenderão para todas as áreas da aprendizagem. A experiência da professora Maria Lúcia Suzigan, autora do Sistema de Educação Musical para Crianças do Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam), de São Paulo, confirma: "Se a criança está cantando, tocando ou ouvindo uma melodia, está aprendendo muitas outras coisas, como ritmo, afinação ou a questão dos intervalos".

Aprender Brincando

Os primeiros anos de aprendizagem são propícios para que a criança comece a entender o que é a linguagem musical, aprenda a ouvir sons e a reconhecer diferenças entre eles. "Todo o trabalho a ser desenvolvido na educação infantil deve buscar a brincadeira musical, aproveitando que existe uma identificação natural da criança com a música. A atividade deve estar muito ligada à descoberta e à criatividade", explica Teca Alencar de Brito, diretora da Escola Oficina de Música e colaboradora do MEC na elaboração dos Referenciais Curriculares de Iniciação Musical. Brincando, seus alunos estarão exercitando também habilidades que serão exigidas durante os anos seguintes, como o uso da métrica nas letras e as noções de rima e ritmo.

Uma regra de ouro

Uma das questões fundamentais a ser abordada com as crianças é o que vem a ser essa "coisa" chamada música. "A música é a linguagem que organiza som e silêncio", diz Teca, dando dicas da direção em que devem ser trilhados os primeiros passos. Não tem sentido, por exemplo, forçar a criança a entender, teoricamente, que a música acontece no tempo e no espaço. Ela vai tomar consciência da linguagem musical se conseguir ouvir e diferenciar sons, ritmos e alturas, saber que um som pode ser grave ou agudo, curto ou longo, forte ou suave.

Está definitivamente superado o tempo em que o professor de música ficava à frente da turma dando aulas de teoria musical. Cartilhas que inventam nomes estranhos para notas musicais (faca para a nota fá, dominó para o dó etc.) atrapalham mais do que ajudam. O desafio de ensinar música na pré-escola está em transmitir noções básicas de ritmo e harmonia sem ser monótono ou mecânico. A criança se solta ao perceber que é capaz de fazer música, a forma mais universal de comunicação. E, uma vez criado, o canal musical não se desliga jamais.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil do MEC recomenda a Iniciação Musical na pré-escola e dá ênfase à escolha do repertório, uma das chances que o professor tem de ampliar a visão (e a audição) de mundo do aluno. E, convenhamos, se tem uma coisa que o brasileiro sabe fazer é música. Então, vale misturar MPB de qualidade (Tom Jobim, Chico Buarque, Villa-Lobos e grande elenco), músicas folclóricas, cantigas de roda, regionais ou eruditas. Veja abaixo algumas sugestões do MEC:

- A Arca de Noé - Toquinho e Vinícius de Morais: vols. 1 e 2 - Polygram, 1980;
- Adivinha o que É? - MPB-4, Ariola, 1981;
- Canções de Brincar - Coleção Palavra Cantada, Velas, 1996;
- Casa de Brinquedos - Toquinho, Polygram, 1995;
- Castelo Rá-Tim-Bum - Vários autores - Velas, 1995;
- Cirandas e Cirandinhas - Heitor Villa-Lobos - Roberto Szidon, piano, Kuarup, RJ, 1979;
- For Children - Bela Bartok, Piano solo, vols. 1 e 2 - Zoltan Kocsis, piano, Paulus;
- IHU. Todos os Sons - Marlui Miranda, Pau-Brasil, 1995;
- Madeira que Cupim Não Rói - Antônio Nóbrega, Brincante, SP, 1997;
- Meu Pé, Meu Querido Pé - Hélio Ziskind, Velas, 1997;
- O Grande Circo Místico - Edu Lobo e Chico Buarque, Som Livre;
- Suíte Quebra-Nozes e The Childrens Album - Tchaikovsky;
- Pedro e o Lobo - Prokofief;
- Zimbo Trio e as Crianças - Movie Play do Brasil.

FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA